segunda-feira, 29 de junho de 2009

FISL10, visão geral

Este é o segundo e último post da série de reviews sobre o FISL, o primeiro está aqui.



Qualidade e variedade de palestras:
FISL teve algumas palestras com alguns assuntos batidos demais, de cabeça, "Por que Python?" é de cara um deles. Eu acredito mesmo que já está na hora de dar um shift nessas idéias. Já sabemos que software livre da certo sim, já sabemos a impotrância do conhecimento livre e já sabemos que compartilhar conteúdo na internet não é crime - pra essas coisas qualquer um não-recém-chegado ao mundo do software livre pode explicar, não precisa de uma palestra de 40min.

Outro ponto levantado em algumas discussões é sobre o nível das palestras: "Assuntos pops atraem newbas e a qualidade do evento cai." - autores dessa opinião, nada pessoal, eu sei que vocês vão ler esse post, opinem ai em baixo e me corrijam se eu falei alguma besteira :D. Mas pô, peraí. Isso eu já acho um pensamento meio elitista. O evento deve atingir todos os níveis de conhecimento, certo? Mesmo por que, quem consegue dar uma palestra mega-boga profunda em 40min? Assisti à todas as palestras sobre virtualização e algumas sobre kernel e até as sobre kernel foram de certa forma simples e puderam ser compreendidas por seres humanos. Acho que a idéia é essa mesmo, cada vez mais atrair mais gente, espalhar conhecimento, ganhar adeptos e tal. O nível das palestras (IMHO) foi razoavelmente bem distribuido. Mesmo por que - e isso eu digo sempre - conhecimento técnico a gente adquire no google, em salas de IRC e batendo a cara no computador madrugada a fora. Palestra é pra você conhecer o tema, pegar uma ou duas URLs pra começar a estudar, só isso. :)

Escolha dos temas:
Isso sim foi um bocado tenso. A escolha dos temas não foi algo claro e transparente. Ficaí a dica pra um upgrade no ano que vem. Um sistema mais claro pra todo mundo acompanhar quem vai e quem fica. :)

Tirei algumas fotos do evento. Algumas delas estão no meu Flickr e outras no pool da Agência FISL (@agenciafisl) que fez uma cobertura fotográfica colaborativa do evento.

E até o próximo FISL! :)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

FISL10, primeiro dia

English spoken folks, this is gonna be in pt_BR only, sorry.

Primeiro dia de palestras no FISL 10: Frio, filas e internet que não funciona. Só isso. Brincadeira, tem coisas boas também.

Credenciamento para imprensa/blogs:
O primeiro dia de FISL foi marcado principalmente pela organização ruim do FISL que não dá kit para pessoas da imprensa / blog. Bem, essa separação de um crachá pra imprensa e outro para blogs já é algo que não desceu bem, principalmente hoje em dia e principalmente em se tratando de FISL. E outra, eu paguei normalmente, certo? Por que eu não posso ganhar um kit?

O kit
"Mas até a bolsa você quer?" Sim, já que o cronograma foi impresso num formato de jornal de domingo e só cabe naquela bolsa. Fora o fato que também é mais fácil de acessar durante o evento. Falando mais desse cronograma, pessoal de arquitetura de informações passou bem longe dele. Fizeram uma tabela com vários espaços em branco gerando uma tabela imensa, o que poderia ser reduzido a algo mais compacto e fácil de visualizar.

A infra
Bem a infra já não é culpa do da organização do FISL. Cheguei cedo com a Ursinha e o wireless estava redondo e navegando normal. O sinal do AP ao longo do evento é sempre bom... MAS com a chegada de todos os grupos de usuários do mundo inteiro a coisa complicou um pouco. A medida que a moçada foi chegando, vários AP's foram subindo. Meio dia e a internet já estava inavegável (essa palavra existe?). A quantidade massiva de AP's em mesmos canais estava degradando demais TODO o wireless do evento. Pronto, agora só por cabo.

Mas tem ponto positivo, certo? Sim, palestras.

DNSSEC mess
D. J. Bernstein falou de todos os problemas que a implementação do DNS atual tem. Ataques de hijacking e similares, falou do pequeno acréscimo de seguranção que o DNSSEC introduz e a quantidade de bagunça que ele faz. Falou também o quanto um AP's é vulnerável com um simples script, coisa pouca mesmo.

Redes mesh
Taí, sabe aquele problema do pagrágrafo da infra? Então, resolvido com redes mesh. Se todos os AP's fossem levantados como multiplicadores em oníssono, todo mundo ia ter internet rápida e redonda. Palestra pouco técnica, mas levantou uma bola pra galera da organização de eventos grandes (Campus Party e Encontro da Locaweb, por exemplo). Comecem a pensar, gente. (não sabe o que são redes mesh?)

OpenEmbedded
Boa palestra do Salveti sobre um framework para cross build de aplicativos. Projeto que elimina toda aquela burocracia e trabalho para a cross compilação. Só quem já trabalhou com isso sabe como é complicado a nada trivial.

Amanhã tem mais. Aliás, preciso fazer juz ao crchá que me deram. :-D

sexta-feira, 29 de maio de 2009

FISL is not as it used to be

meta: I started posting in english and I did not loose any readers, thank you guys ;)

Here in Brazil we have a worldwide free software conference called FISL - Forum Internacional de Software Livre (Free Software International Forum, in english). This is the first time I will be able to attend this conference and I am already facing some bad news. It's all about the way lectures were aproved, too may questions surrounding the methods on how topics were choosed (link in pt_br). Some complaining about the lack of technical lectures and other claiming for more political ones. So, here is what I think:
  • Technical stuff we may learn at home freaking out night away at the computer.
  • Nerd events like this are just great to improve your social skills - yes we need this! Meeting new people, new free softwares iniciatives and so on.
But, int he other hand...
  • There is no reson to talk about "Why free software is good" or "Why Python?". Comon guys, we can do better! Let's think a bit ahead.
While we don't find a way to put these things together in equilibrium we could just avoid some topics that had already been presented in the past. This could be a good start :)

domingo, 24 de maio de 2009

libssh-0.3 released

Meta information: I'll start posting in english. The reason is pretty simple, some folks outside Brazil started to "read" this humble webblog these days, this includes my libssh friends and some other buddies :) This also should supply this lack of posting I am facing lately - I think.

This last thursday (21st / may) libssh-0.3 was released in its brand new website! But for what libssh is used for? From the official website: "The ssh library was designed to be used by programmers needing a working SSH implementation by the mean of a library. The complete control of the client is made by the programmer. With libssh, you can remotely execute programs, transfer files, use a secure and transparent tunnel for your remote programs. With its Secure FTP implementation, you can play with remote files easily, without third-party programs others than libcrypto (from openssl)." Congratulation folks :)

Check it out! Literally, I mean, the SVN repository.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

FISL10 está chegando

Mais uma edição do FISL está chegando e nesse eu vou. Não só eu, mas a família inteira vai (@guilhermeprado, @klebersouza, @ursinha e eu). Primeiro FISL, já avisei o chefe que vou tirar os dias e depois fazer hora extra pra repor, quero aproveitar as palestras, discussões, stands e tudo que eu não vi até hoje ao vivo. Por que internet taí pra isso né? Eu nunca fui AO VIVO ao FISL, mas sempre vi as notícias, fotos e vídeos das palestras. No fundo no fundo é como todos os outros eventos técnicos, não se vai pela informação - isso a gente pode consumir depois ou até durante se for mais exigente - vai ser pelas pessoas.


Mas o que eu espero mesmo? Espero que não aconteça o que aconteceu em todos os eventos sobre internet que eu fui até agora: Eu não conhecia muita gente, conversava com meia dúzia e o principal: Internet era meu hobby e não meu trabalho. Agora eu vou estar lá! Serão computeiros, linuxeiros, camisetas engraçadas, Stallman, PirateBay e por ai vai. E a idéia é conhecer pessoas, trocar experiências, conhecer aquelas que só se conhece pela internet. Pretendo voltar a movimentar mais esse espaço e postar sobre impressões, palestras e tudo que eu achar que devo compartilhar por aqui. Aguardem. :)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Google Latitude e o big brother ao contrário

Post rápido devaneando sobre o novo Google Latitude.

Em época de Big Brother na Globo, todo mundo eufórico pra saber quem vai pro paredão ou quem pegou quem, eis que surge Google Latitude. E eu me pergunto: O que está acontecendo com a cabeça da moçada? À medida que as tecnologias de comunicação evoluem, a vigilancia da informação está aumentando no sentido contrário. Prof. Luli contou ao Serginho Groisman um pouco da teoria que envolve esse tipo de comportamento. Voluntariamente internautas expõem suas vidas em forma de twitts, músicas, fotos, leituras e links. Ok, confesso que hoje eu me peguei preocupado até demais com o scrobler do meu player de mp3. Entrei no last.fm e não vi minhas músicas lá! Como assim? Até eu? Scroblear músicas é mais importante que ouvir? Vix.





Voltando pro Google Latitude, agora não falta mais nada: O Grande Irmão tem sua posição geográfica também. Cabe na cabeça esse barulho? Na minha não cabe. Mas mesmo assim, fanzão de tecnologias que sou, fui lá eu baixar o menino pro meu celular.

Os mais céticos dirão: Mas imagina uma frota de caminhões sendo monitorada? E se você pudesse saber exatamente onde está o carteiro que vai entregar seu headset do mercado livre? Ah, tecnologia nós já temos: GPS e 3G em celular estão aí pra isso. Agora é só inventar.

Mas, vem cá, pessoas normais usando isso? E o grande irmão agora também vai saber quando e onde você está. Ok, mas onde eu quero chegar? Não é post de teoria da conspiração. Google não obriga você a usar nada, a pergunta é do outro lado: E aí onde vamos parar? Por que sentimos essa necessidade aberrativa de abrir nossas vidas na internet? Ok virou um meta-post :)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Campus Party, redes mesh e cibercrimes

Com o objetivo de não ser só mais um post sobre Campus Party no mar da blogosfera brasileira, vou falar de uma das coisas que mais me chamou a atenção. Mas calma, nada de Tim Berners Lee, Teatro Mágico, a treta com oDe Leve e muito menos das Coelhinhas. Sergio Amadeu, em seu belo discurso pela liberdade da internet, citou as redes mesh. Prepare-se então para ler um pouco mais e entender a tecnologia que pode te incriminar se a lei do nosso caro Azeredo entrar em vigor do jeito que está.

Redes mesh são redes sem fio que transportam dados do mesmo jeito que as redes wireless fazem. Mas qual a diferença das redes mesh para a rede wifi do café que eu vou sempre? A diferença está na arquitetura da rede. Enquanto você se conecta em uma rede wifi através de um access point, em uma rede mesh você se conecta no cara do lado. As figuras abaixo mostram melhor a topologia da rede.


(topologia em estrela, todos se conectam diretamente à internet.)



(topologia em malha da rede mesh, todos se conectando entre si para achar um caminho até a internet)
 
 
Ou seja, a rede toda em forma de malha evita a necessidade de possuir vários access points para cobrir um local muito grande. Faz com que cada nó da rede se torne um roteador/gateway. Seu computador não usa o access point lá do outro lado do galpão, usa o computador do seu lado como gateway. Bom, e por ai vai.

Momento da fofoca: Segundo o que ouvi por ai, o Campus Party não tem WiFi justamente por esse motivo: 6k pessoas demandam um número muito grande de access points para poder manter a rede de pé e não prejudicar o "10Gbps" (entre aspas mesmo) emprestados da Telefônica. Ué, mas isso seria uma saída ideal. Todos os computadores são configurados pra ser nós da rede mesh e pronto! Precisaríamos de bem menos roteadores e tal... Bom, fica a dica pro Campus Party 2010.

Mas ninguém usa isso hoje em dia, certo? Errado! Um dos projetos mais falando em 2008 usa! O OLPC possui duas anteninhas verdes que já estão preparadas para fazer do OLPC um nó da rede mesh. Escola faz economia em infra de rede, e os alunos continuam estudando.

Só pros computeiros não dizerem que eu não toquei no assunto, baixando um pouco o nível da conversa, redes wifi seguem o protocolo 802.11b/g/n, enquanto que redes mesh usam 802.11s. Embora já tenham produtos com a tecnologia, o protocolo 802.11s ainda não está totalmente definido pela IEEE.

E repito: Gritem, protestem, reclamem e categoricamente não aceitem o projeto de lei como ela está. Precisamos SIM ter um estatuto para crimes digitais, mas não deste jeito.