quarta-feira, 18 de junho de 2008

Supercomputador, criptografia e teoria da conspiração

Neste post vou falar sobre o novo supercomputador da IBM: O RoadRunner. Questiono a meaça que ele pode trazer com sua capacidade de processamento para quebrar chaves de criptografia. E já aviso, este post é pra fazer barulho mesmo!

(Foto de uma parte do RoadRunner. Não, quando ele boota ele não faz "Meep, meep!"[1])

Semana passada a IBM, como já é de costume, anunciou o lançamento de mais um super computador, o RoadRunner.
Realmente um excelente trabalho da equipe de P&D da IBM. Pra quem não conhecia, o BlueGene era o antigo computador mais rápido do mundo. Obviamente existem muitas diferenças entre os dois projetos, incluindo arquitetura, número de nós, consumo de energia e tal. Mas a diferença mais gritante é a velocidade de processamento: BlueGene batia a casa de 500 Tera-FLOPS (500 vezes dez elevado a doze operações de ponto flutuante por segundo) enquanto RoadRunner atinge a casa de 1,7 Peta-FLOPS (1,7 vezes 10 elevado a quinze operações de ponto flutuante por segundo).

O ponto interessante do RoadRunner que tange nossa discussão é justamente: Não é lá muito poder de processamento pra um cara só? Explico:

"IBM built the computer for the U.S. Department of Energy's (DOE) National Nuclear Security Administration."

"The DOE plans to use the computer for simulating how nuclear materials age in order to predict whether the USA's aging arsenal of nuclear weapons is safe and reliable. Other uses for the Roadrunner include the sciences, financial, automotive and aerospace industries."


Como a já conhecida teoria da conspiração sobre 11/set[2], eu realmente não consigo acreditar que o governo (leia: FBI) não vá colocar pelo menos um pouquinho de suas garras nesse brinquedo. Com qual finalidade? Bom, todo esse poder de processamento pode ser usado para quebrar criptografia de alguns níveis. E não pense que isso é exagero da minha parte, veja um artigo publica por um aluno da USP sobre o mesmo tema:


"Nos Estados Unidos, a política em relação a exportação de tecnologia de criptografia é de extrema severidade. A Agência de Segurança nacional (NSA) dos Estados Unidos, para garantir o acesso as informações transmitidas, exige que as empresas que desenvolvem tecnologias de encriptação mostrem seus algoritmos ao governo antes de exportá-los. Também limitaram o tamanho da chave utilizada no código a ser exportado. Até janeiro, esse limite era de 48 bits, mas foi aumentado para 64 bits. Em virtude dessas restrições, os Estados Unidos dificultam o desenvolvimento de padrões internacionais de encriptação e geram problemas de incompatibilidades, para as empresas de tecnologia local. "Essa situação fez com que outros países, como a Suiça, Alemanha, Israel, Irlanda, França e Austrália, ocupassem o mercado de produtos de encriptação." diz o diretor da Base, Steinberg."

Observação pertinente: entrei em contato com o autor do texto, Elias Yoshiaki Yoshida, para conseguir mais informações a respeito do assunto e referências sobre esse fragmento em especial, mas não obtive resposta. O site do artigo referencia muitas fontes interessantes que valem a pena dar uma olhada.

E pronto, chegamos ao ponto: Essa foi uma tentativa de gerar barulho sobre esse tema pra fazer os computeiros pensarem um pouco mais sobre esse assunto. E talvez entender que definitivamente política de segurança estadonidense de cu é rola.

Referências:
[1]: Roadrunner é o termo original para o nosso Papaléguas.
[2]: Para entender a teoria que gira em torno do 11 de setembro assista ao filme Zeitgeist.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

TV Cultura, a emissora 2.0 via oC

Publiquei no oniscienteColetivo um post sobre a grande revolução dois ponto zero no jornalismo que a TV Cultura está fazendo:
"Assisto a TV Cultura desde pequeno e sempre vi com bons olhos sua programação. Sempre repleta de programas educativos, sempre visando o acesso livre à cultura. O fato é que a Fundação Padre Anchieta está se mostrando ainda melhor nos últimos tempos. Com idéias realmente inovadoras tanto para construir conteúdo quanto para distribuí-lo."

[...]

"A colaboração extrapola os limites do jornalismo tradicional e revoluciona a forma com que os temas são tratados dando status de editores aos leitores comuns: “As pautas e programas que antes eram definidos pela equipe agora passam pelo crivo dos usuários."
Confira o texto na íntegra no oniscienteColtivo.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O que eu leio e o que você lê

A idéia é bem simples: Vou publicar aqui a lista de coisas que leio (arquivo OPML) e vou comentar alguns dos feed que assino. Vou tecer alguns comentários de por que eu os leio e o que acho interessante neles. A idéia original deste post é do Leandro "Trecker" Gabriel.

Requisito: Se você não sabe o que são feeds o que é e pra que serve RSS então leia meu próprio post falando sobre isso. Pode ajudar você a entrar nesse mundo.

Meu OPML na íntegra: google-reader-subscriptions_otubo.xml

  • Site do Aurélio (Verde): Note que eu escrevi "site" e não blog. O site do Aurélio é uma fonte muito rica pra quem gosta do mundo script. Possui muitos guias, tutoriais e how-to's sobre shell script, expressões regulares, sed e por ai vai. Excelente referência técnica. Já o blog, desde a desnerdização, sempre trás experiências divertidas com surf, bandas punk e devaneios aleatórios sobre a vida e tudo mais.

(Aurélio "Verde" no lancamento de seu livro de Shell Script Profissional[bb] no FISL9.0.
Sim! Eu tenho um exemplar autografado!)

  • Br-Linux: Mais um excelente blog de Augusto Campos. Reune e agrega várias fontes de informação sobre o mundo oopen source. Merece anteção especial pela qualidade das notícias que é sempre boa. Assumi que apenas BR-Linux é o suficiente pra saber da maioria das notícias desse meio. Leio e recomendo, tanto que fiz um bot para entregar as manchetes das notícias pelo Twitter.
  • Nerdcast: Um podcast sobre tudo. Exatamente isso: Nerds reunidos que falam dos assuntos mais diversos: Seja sobre cinema, computação, internet, livros e o que mais você procurar. Tudo sempre de bom humor, claro. E olha que humor nerd costuma ser sempre criativo :-)
E agora uma proposta aos meus leitores: O que vocês estão lendo? Postem, divulguem, compartilhem!

terça-feira, 29 de abril de 2008

Virando cultural

Sobrevivente de uma experiência sensacional, a Virada Cultural veio para mudar algumas opiniões e rever alguns conceitos sobre cultura. De longe o meior evento de cultura (não-nerd) que fui até hoje. A prefeitura de São Paulo está de parabéns pela organização e promoção de um evento como este, que no mínimo é interessante e vale prestar um pouco de atenção.

(fala-se em 4 milhões de pessoas na Virada Cultural. Fonte: O Estado de São Paulo)

Acesso livre à cultura!
Foi a primeira vez que fui à uma Virada Cultural e já digo de cara: Parabéns à Prefeitura por essa excelente iniciativa. Sem demagogia ou pieguisse! O livre acesso à cultura deve ser promovido em todos os pontos (e não apenas ao software livre, que é o que defendo aqui neste blog). Dar a chance à população ampliar seus horizontes e sair da limitação que a caixa da TV impõe é fundamental.

A distopia noir.
Este termo se refere àqueles filmes[bb] com um panorama futurista caótico[bb]. Normalmente mais escuros, envolvem tramas complexas e intrigantes: Blade Runner, V for Vendetta e Sin City são exemplos destes cenários de ficção. Mas que diabos isso tem a ver? Bom, só estando às 3h da manhã no centro histórico de São Paulo pra entender realmente do que estou falando. A sensação é de completa imersão em um submundo. Sociedades complexas e seus guetos espalhados pelas calçadas e em volta dos palcos. Punks, indies, clubbers e o que mais você quiser. Todos com o mesmo objetivo: Consumir cultura. Esta é desta distopia que falo. Um evento que muda completamente um local, reune pessoas e torna a experiência realmente rica.

(obs importante: Entenda cultura como toda forma de expressão e arte. Seja uma banda barulhenta, um poeta e sua trupe ou um grafiteiro demarcando sua tribo.)


As atrações que vi:
Fomos ao Sesc Ipiranga com o objetivo de ver Fernanda Porto[bb] e acabamos vendo uma mostra de cinema com um breve episódio de Charles Chaplin[bb] e a banda Sandália de Prata. Esta última é uma banda bastante agradável de samba-rock, ritmo dançante e envolvente. Fernanda Porto dispensa comentários. Uma musicista de primeira que mandou muito bem em todos os intrumentos que tocou: Saxofone, percursão, teclado, violão e guitarra. Tocou hits de seus dois álbuns, Samba Dois de Los Hermanos[bb] e ainda duas músicas que já estão no álbum novo. Simplesmente fantástico.

Depois de perambular pelo centro, ver o finalzinho de Paul Di'anno, tirar um cochilo no meio da República (feito Woodstock) e tomar uns tragos de conhaque pra esquentar a alma, resolvemos ir até a São João e esperar pelo Teatro Mágico. A espera nos surpreendeu com um grande presente: A alvorada. O amanhecer visto da Avenida São João foi indescritível. E o belíssimo dia que surgiu veio acompanhado do show do Fernando Anitelli e sua trupe.

O Teatro Mágico veio e lotou (ainda mais) a avenida. Suas músicas poéticas e seu show performático encantou a todos os presentes. Seu discurso quase comunista de compartilhamento livre de conteúdo me cativa demais. Um viva à cultura livre. Um viva à midia independente. :-)

(Avenida São João como nunca antes vista.
No amenhecer de domingo)

Pontos fracos.
A sugeira. Definitivamente o ser humano não sabe o lugar de lixo. Isso (infelizmente) completa ainda mais a cena distópica do centro de São Paulo. As ruelas e travessas viraram mictórios públicos. O odor forte e a sujeira fora o ponto mais baixo do evento.

Ponto fortíssimo:
A cobertura do Radar Cultura foi excelente. Fora a cobertura pelo Twitter, com informações sendo lançadas em tempo real, houve também um serviço colaborativo de cobertura do evento. O Radar Cultura disponibilizou um número de telefone fixo, para o qual um cidadão poderia ligar de onde estivesse e dar seu depoimento: Está bom, está ruim, está com fila... E o resultado é um grande jornalismo de vanguarda. Um jornalismo 2.0 :-) (Devo escrever ainda esta semana no oniscienteColetivo sobre este grande exemplo de jornalisto 2.0 que é o Radar Cultura)

Dicas de um novato em Virada Cultural:
  1. Leve uma blusa. De madrugada a temperatura costuma despencar.
  2. Recomendo levar um saco de dormir[bb]. Você pode dormir no gramado da praça da República sem necessariamente criogenar seus órgãos vitais.
  3. Use calçados confortáveis e que não entrem água facilmente (vide tópico sobre os pontos negativos)
  4. Programe-se bem. Marque o que quer assistir e, se estiver em grupos de amigos múltiplos de 4, considere a opção de pegar um taxi e dividir os custos.
  5. Vale MUITO a pena dormir de madrugada (caso este período não tenham eventos que te interessem, claro). Muitas atrações interessantes ficam no final do segundo dia, e quem não guardou energia não aguenta mesmo.
  6. Leve uma câmera decente[bb] e fotografe tudo.
Concluindo:
"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena" - Fernando Pessoa.
Ver seus artistas prediletos, perambular pelo centro antigo de madrugada e ainda ver o sol nascer na Avenida São João nem te faz lembrar da exaustão física. Só me dei conta disso quando cheguei em casa... :-)

Minhas fotos:
http://www.flickr.com/photos/otubo/tags/viradacultural/

Meus vídeos:
O Teatro Mágico - Ana e o Mar
Fernanda Porto - Perdi o Ton
Fernanda Porto - Só tinha que ser com você

terça-feira, 22 de abril de 2008

Diagrama do estereotipo de um nerd

Meta-comentário: Poxa! Isso dá pano pra manga mesmo! Esse assunto aqui no blog já está mais do que saturado. Prometo que este será o último post sobre o assunto. Mas se você chegou à este blog agora e ainda não viu a série "Nerds mandam bem #1, #2 e #3", veja. É muito boa. :-)

O fato é que eu achei muito interessante este diagrama que o Edjunior enviou à lista da nossa casa. Ele trata do estereótipo dos nerds sob vários pontos de vista, incluindo D&D e exposição ao sol (que é o que define o contato com garotas, diga-se). No fundo no fundo eu achei mais engraçado e caricato do que fiel à realidade. Mas enfim... Divirtam-se.


Diagrama sobre o estereótipo nerd:
A representação das garotas ai é excelente.

Mas na real, eu acho esse papo de taggear pessoas complicado demais. Seres humanos são complexos demais para simplesmente botar um rótulo e dizer: "Olha você é um [nerd| punk | bombado de academia | xis]". Saca? O fato é que a brincadeira de entender o comportamento de pessoas aparentemente parecidas é valido. E é isso que eu tento garantir nessa série de posts. :-)

ps.: Sim, rotular acaba sendo uma forma de preconceito. A própria palavra já diz. Pelo menos na minha humilde opinião.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Nerds mandam bem #3

Séculos depois dos primeiros posts da série de posts Nerds mandam bem #1 e #2, venho trazer mais um relato de estereótipos e facetas dessa classe de pessoas tão simpáticas e caricatas. Sedentário e Hiperativo clipou um post muito interessante da Wired sobre outros estilos e modelos de nerds:


1. O Fanboy
Características: Na maior parte do tempo utiliza falas de Os Simpsons, Star Wars, Highlander e Os Caça Fantasmas. Adora discutir sobre quem ganharia a luta entre Batman e Boba Fett. (Batman.)
Crenças: A Força existe, mas midi-chlorians são uma farsa. Han atirou primeiro.
Fetiches: Princesa Léia vestida de escrava. Starbuck (encarnação masculina e feminina) . Amazing Fantasy No. 15. Uniformes de veludo.
2. O Geek da Música
Características: Ficaria realmente feliz em te apresentar uma música melhor do que o lixo que você e todo mundo gosta. Está sempre pronto pra um show, que vai ser uma droga.
Crenças: MP3s não são tão boas quanto CDs, que não são tão bons quanto LPs, que não são tão legais quanto uma Vitrola.O que importa é do que são feitos os fios do seu alto-falante.
Fetiches: A coleção completa de Singles Club 45s da Sub Pop. VH1’s Behind the Music (só a parte hair metal). Dar nota 0.0 no Pitchfork. Válvulas termiônicas.
3. O Gamer
Características: DEX (destreza) e INT (inteligência) altos, baixo CHA (carisma) (conseqüentemente, poucos amigos). Insultar indecifravelmente. (”I pwn3d u, n00b!”).
Crenças: O jogo Real World tem um motor físico ótimo, gráficos de alta resolução, e convincente sistema de som surround, mas sua curva de aprendizado é muito variável.Garotas deviam se vestir como a Yuna de Final Fantasy.
Fetiches: Spawn points (pontos de produção). Feedback Tátil. Toques de celular do Pac-man. Morgan Webb. Split screen co-op.
4. O cara dos Gadgets
Características: Sociável quando está nas filas do dia do lançamento. Feroz em comentários no Gizmodo. Semblante calmo para o remorso dos primeiros consumidores (Síndrome Apple Newton)
Crenças: Eu posso consertar isso. Não existe Deus, a não ser MacGyver.O preço vai cair em um mês, mas eu preciso disso agora.
Fetiches: Vídeos “tirando-da-caixa”. Baterias reservas. LEDs azuis. Canetas laser. Pessoas que RTFM. Coisas que fazem barulho alto no clique.

5. O Hacker

Características: Cronicamente mal-humorado - e de novo, tendo um intelecto tão superior, é um peso morto. Tendências paranóicas.
Crenças: “One shall stand, one shall fall” (Transformers). Alergia do Sol é uma condição real. Sexo virtual: não totalmente nojento. Cory Doctorow foi muito suave no DRM. A revista 2600 se tornou muito comercial.
Fetiches: Trinity. Fluência em l33t. Descobrir agentes anti-narcóticos na DEFCON.
6. O Otaku
Características: Feliz de modo alarmante. Prefere ler da direita para a esquerda.
Crenças: Mangá é um meio, não um gênero. Furry não são asquerosos. Eu posso aprender japonês através do Gundam. Lynn Minmay é o personagem mais irritante na história de tudo. O próximo anime lançado será um sucesso de Hollywood - nessa vida com certeza. Não é tudo pornô com tentáculos, OK?
Fetiches: Pornô com tentáculos. LARPs indecentes. Encontros virtuais. Tudo que seja kawaii.

E mais, teve ainda um pessoal que veio aqui em casa e tentou fazer uma matéria sobre nerds. Como todo jornalismo tradicional, a matéria cometeu seus deslizes naturais. Repito: naturias. Um não especialista tentand escrever sobre algo específico dá nisso. O fato é que me deu vontade de recomeçar aquela velha discussão de mídia tradicional e new mídia (seja blogs / twitter / o que quer que seja), mas me contive.

Devo escrever sobre?

Outro fato que me cutucou foi: Se jornais cometem erros pequenos (seja deslizes ou propositais) como fica nossa posição de leitores - que confiam piamente em uma fonte de mídia? Hmm.. Pano pra manga.