segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Amazon Kindle e a moda dos livros digitais

A discussão do momento é a nova onda de livros digitais e esse tal de Amazon Kindle. Tomei conhecimento desse assunto por um email de um amigo meu - Leandro "Trecker" Gabriel. Segue o email na íntegra:
"Com o anúncio da Amazon do Kindle, seu mais novo prodiço (produto feito para vender serviço), surge a mesma questão que gerou furor nos tempos do Napster e amor nos tempos do cólera: O que será das editoras? Será o início definitivo da era pós-Gutemberg? O que fazer com o papel? Pra que servirão os eucaliptos?

Calma, cara-pálida. Não se preoucupe com as ações das empresas de celulose, essas ainda terão vida longa. A questão pertinente aqui é em relação às editoras. Será que dezenas de editoras vão ruir perante às primeiras que abraçarem de coração o novo modelo de distribuição?

Antes disso, uma explicação. O Kindle é um leitor de livros eletrônicos que promete "desaparecer" em suas mãos durante a leitura. O livro, enquanto lido, é praticamente imperceptível como mídia, restando apenas a palavra do autor sem papel nem tinta no caminho de sua mente para a do leitor, oferencendo conforto absoluto. Os leitores lançados até hoje não tinham essa característica, pareciam fugir disso como o diabo da cruz.

Além de não precisar de uma segunda plataforma para obter as músicas (tem conexão Wireless e é ligado ao serviço Amazon de compra de e-books), o Kindle promete leitura confortável, pois utiliza partículas de tinta reais ( e-ink) e sua tela não tem o brilho das telas comuns, além de refletir tanta luz quando um papel comum. O produto já é comparado ao iPod e a Amazon espera uma febre similar.

As editoras, ao contrário das gravadoras, parecem não estar desesperadas em relação à onda de leituras eletrônicas. Até porque, as vendas de livros não parecem ter sido muito afetadas até hoje, o que pode significar que a febre ainda não pegou. Talvez faltasse um dispositivo de alta mobilidade voltado para leitura, não falta mais. A disponibilização de edições eletrônicas, apesar de não absoluta, já é uma prática comum e em franca expansão.

Vender livros eletrônicos reduz drasticamente o ciclo de uma editora, não havendo a necessidade de imprimir. Além de cortar de forma aberrativa os custos. Tá bom, tudo bem, mas se a editora não vai imprimir, pra que ela vai servir? Pra que o autor vai "perder ganhos" com ela, pagando seus altos percentuais? Ora, pra que ela cumpra a sua função! As editoras, em tese, servem também para fazer todo o trabalho de divulgar o livro e, quem sabe, emplacá-lo como best seller no New York Times. Nada impede de autores resolverem divulgar seus livros em blogs e vender edições eletrônicas, antes eles não tinham a grana pra imprimir.

Enfim, a tendência é que o acesso ao mercado de consumo de arte com propriedade intelectual seja facilidado tanto do lado dos autores quanto dos consumidores. Foi assim com a música, está sendo com o livro e o próximo é a TV. Espero ansiosamente para que o TiVo chegue em Terra Brasilis logo."
E pra dar continuidade na discussão, gostaria de deixar alguns pontos de interrogação em aberto:
  • O design não me agradou nem um pouco. Será que eles já viram o iPod Touch ou o iPhone?
  • E o lance do DRM? Tem?
  • (e agora pondo lenha na fogueira) se esse aparelhinho tivesse padrões abertos talvez fosse infinitamente mais interessante. Ter a possibilidade de desenvolver novos aplicativos, exportar novos serviços e fazer a tão falada convergência de mídias. Cadê o pensamento 2.0 desse pessoal?
  • Falando em convergência, quem iria comprar algo que SÓ lê e-books? Ok, entra na internet e compra e-books da Amazon, mas mesmo assim, não posso ler meus PDF's? Em suma: Padrões fechados fedem a cocô.
(atualização 26/nov/2007 - 23:05)
Acho que acabei esquecendo da minha opinião sobre o brinquedo. Não, eu não compraria um desses por alguns motivos simples:
  • Quanto a questão da convergência de mídia, eu não quero um aparelho que leia (e compre) e-books e ponto. Posso ter um PDA (ou até um SmartPhone) que acesse redes Wi-Fi e ter a liberdade de ler minhas nótícias / blogs / feeds RSS sem ter que comprar nada. Poder ler meus emails enquanto ouço minha banda predileta e, quem sabe mais tarde, ligar por VOIP para minha casa. Mas e os e-books? A maioria dos ebooks que preciso ler estão disponíveis gratuitamente em PDF. E quanto aos outros...
  • Os outros livros eu prefiro papel. Cheirar o papel, folhear, ler a orelha e guardar na prateleira. Esse é um prazer estranho que poucas pessoas tem. Ler coisas de papel ainda é muito bom, acredite! :-)
  • Padrões fechados, DRM e outras cossitas más: Inconcebível o lançamento de um produto com padrões fechados hoje em dia. A maior sacada do ano foi o lançamento do Google Android (que infelizmente não tive tempo de escrever aqui no blog). Imaginem a imensa gama de possibilidades quando se tem padrões abertos, API's e cérebros nerds fervendo para fazer coisas legais. Estouro de sucesso - agora imagine isso recompensado com 10 milhões de dólares. Poisé.
  • Eu ainda acho que isso foi um tiro no pé. Do tipo: "gastou dinheiro a tôa". Mas esta é só minha humilde opinião...Vai que isso estoura! Vou ter que engolir cada bit escrito nesse post. :-P

Algumas referências:
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