quinta-feira, 3 de julho de 2008

Review de Wall-E

Aviso: Este post pode conter spoilers. :-)

Neste post vou falar sobre este filme que e está fazendo um pouco de barulho na minha cabeça: Wall-E. Ele quebra alguns conceitos de filmes e animações que já assisti até agora, e é justamente por isso que merece um post só pra ele. Vou dividir as idéias em 3 pontos importantes: Robôs humanos, técnica e qualidade de efeitos e teorias futuristas.


(Wall-E gazing at the stars)


Resumo: A terra entra em colapso, não tem mais onde colocar lixo. Enquanto a população foge em imensas naves, um grupo de robôs permanece na terra com o objetivo de antulhar o lixo produzido. Um destes é Wall-E. Ele desenvolve uma curiosidade e uma humanidade fora do comum. Conhece Eva, uma robozinha (fêmea?) que vem em busca de algum sinal de vida vegetal. Daí pra frente tem que assistir, senão é spoiler demais.

Robôs humanos: A naturalidade dos personagens da Pixar está ficando melhor a cada longa que se passa. Wall-E é exemplo claro disso. Você só percebe que são robôs por que possuem forma típica, de resto, seriam adolecentes completamente normais. Possuem olhares, comportamentos e reações tipicamente humanas. Wall-E fica completamente sem jeito quando fica perto de Eva, faz gracejos para chamar sua atenção. Eva fica brava com Wall-E, e não apenas isso, sua feição de "Wall-E! Olha o que você fez!" é impagável. Obviamente essa personificação é o objetivo da história, sem ela não haveria nem filme. Mas a qualidade e a fidelidade com que o comportamente humano é replicado é realmente fantástico.


(Wall-E & Eva)


Técnicas: Quando o assunto é técnica e qualidade de efeitos, não tem o que discutir. Pixar é foda e ponto. Mas o ponto que me chamou realmente a atenção é o efeito de desfoque de câmera. A produção simulou o "problema" que se tem em acompanhar um objeto muito rapidamente e o foco não conseguir acompanhar. Sensacional! Isso pode ser visto no fim do trailler, na cena em que Wall-E atrai magneticamente alguns carrinhos de supermercado, a câmera o segue, mas perde o foco em alguns momentos.

O futuro está próximo: Achei que este ponto também devesse receber uma atenção especial. O futuro exibido no filme é completamente factível e alguns pontos podem ser observados desde já em nossa civilização. Um ponto interessante é que o filme saiu do modelo tradicional céu-escuro-chuva-ácida-seres-repuguinantes como em Blade Runner, Matrix e outros filmes de estilo "futuro caótico". Apenas um sol inabalável, paisagem desertica e lixo, muito lixo. A quantidade de lixo jogado na Terra a ponto de conseguir inutilizá-la é o ponto mais óbvio da história, estamos rumando a esse destino, ninguém faz nada e isso já não é novidade. Outro ponto bastante fácil de identificar é a atrofia dos ossos e crescimento dos tecidos adiposos devido à gravidade (artificial) baixa no espaço e esforço físico quase nulo. Mas o que mais me chamou atenção foi o uso de telas acopladas a cadeiras pessoais. As telas se comunicam em tempo real com voz e vídeo com qualquer pessoa da nave. E aí está o paradigma: Pessoas completamente isoladas, autistas vivendo em seus mundinho com suas telas particulares mas ao mesmo tempo se comunicando com o mundo. Será que isso já não acontece?

Assista: Se você não assistiu, assista e repare nessas coisas. Um excelente filme de crianças para adultos.

15 comentários:

Gustavo disse...

Sobre o filme agente já conversou, o que eu poderia comentar sobre seu post eu acabei de postar.
Passa lá no oC pra ver.
Bizarro que eu escrevi meu post antes de ler o seu. hehe.

Fernanda disse...

Vamos lá...
1º Wall-e se tornou, de longe, o meu filme-desenho favorito de todos os tempos. Antes alguns disputavam o primeiro lugar, mas depois de ontem to completamente apaixonada por ele! e ponto!
2º A caracterização dos robozinhos e desenhos está cada vez melhor! Muitas vezes me senti muito próxima dos personagens, torcendo por eles, como se fossem 'de verdade'!
3º um dia estava no starbucks do shopping eldorado (um dos shoppings que tem a maior 'rede' de wifi livre em são paulo, praticamente em qq canto do shopping vc consegue acessar) tava fofocando e rindo e tendo um pouco de contato humano, de repente olhei pra mesa do lado onde uns homens de terno estavam me olhando com uma cara meio brava. Os dois, aparentemente amigos, cada qual com seu fone de ouvido... cada um no seu lap. de repente um tirou o fone de ouvido e falou pro outro "não entendi isso que vc acabou de me escrever!"... ou seja, um na frente do outro, mas num enxergavam o outro, não conversavam... estavam com uma tela de bate papo, conversando!!! Tudo isso pra dizer que essa realidade do filme está muito mais presente do que imaginamos. As pessoas já ignoram o simples e agradavel contato humano e já ignoram tudo a sua volta! (e só depende dos tais viciados em internet e etc e tal abaixarem a tela dos respectivos computadores e ver o q está acontecendo a sua volta! entender um pouco mais de gente)
4º de novo, o mesmo sobre computadores e internet se repete pra alimentação/ sedentarismo! é só parar e olhar um pouco em volta pra perceber que já estamos vivendo a realidade do filme! Escada e esteiras rolantes, maquinas de todos os tipos que fazem a maioria dos serviços antes feitos 'manualmente'. Em níveis menores ainda, claro, mas até quando vai ficar assim? num demora muito pra alcançar o nível do filme, muito menos que 700 anos, com certeza!

Achei impressionante a abordagem do filme em que robos sabem ter mais contato humano, muito mais jeito com/ entende mto próximo do que muita gente por ai...

Ana Bee disse...

Vou correndo ver o filme hoje mesmo... Pelo seu post parece ser o filme mais fofo desde Finding Nemo!

B. disse...

Eu tinha desistido de ver por causa da crítica ruim que li no Globo. Mas seu post me fez ter novamente vontade de assistir.
beijos

Eduardo Otubo disse...

(às vezes eu esqueço que posso comentar no meu próprio blog ¬¬)

Fê,
Pensando mais além (e indo na sua área de atuação) repare que no filme a alimentação gira em torno do copão: Tem tudo lá, não precisa mastigar, apenas engolir. Se for pensar bem, isso é uma coisa factível. Nossa alimentação no passado era mais complicada: Os alimentos eram mais duros e menos cozidos...

B.,

Respondendo ao seu comentário sobre wall-e no meu post: Tu acredita mesmo nas recomendações / reviews do Globo :-P ? Bom, só pra ter uma segunda (ou terceira) opinião, tem o review do MeioBit, achei muito legal também.

Beijo e bom filme!
(depois me conta o que achou!)

Edjunior M disse...

Ainda não assisti Wall-E, mas sobre 2 pontos que você enumerou do filme:
- "Defeitos" especiais de câmera: já assistiu o "documentário" animado "Surf's up"? ( http://www.imdb.com/title/tt0423294/ )
- Distopia centrada não em ambientes obscuros a lá Matrix/Bladerunner, mas considerando a capacidade inabalável do ser humano em produzir lixo: já te falei de "Idiocracy" ( http://www.imdb.com/title/tt0387808/ )

Eduardo Otubo disse...

Ed,

Já posso por pra baixar esses lá em casa? Só que tem que assistir! E já lembrando que tem uma pá de filmes antigos que eu baixei e ainda não assisti.

[]'s

Fê disse...

Du... pois é, depois que eu termine de escrever, enviei eu continuei pensando e pensei justamente nisso que vc falou... fiquei pensando nesse tema um tempão, mas fiquei com preguiça de escrever!
tipo... num é o fato deles estarem em uma nave espacial a sei lá qtos mil quilometros de distancia que faz isso com os ossos e o peso...
entre outras coisas que a preguiça me obriga a não escrever!

B. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
B. disse...

kkkkkkkkkkkk. Você voltou depois porque pensou numa réplica melhor? rs. você é figura...rsrs.
Concordo com você. Está difícil para os dois lados. Talvez porque as pessoas afins não estejam em lugares próximos...quem sabe? A verdade é que além da escassez de pessoas interessantes existe outra coisa que pesa: a maioria não quer se comprometer. Num mundo onde a cada dia as coisas têm que ser mais rápidas e prontas (comida, informação, produtos) ninguém quer ter trabalho construindo uma relação. Uma pena. Não sabem o que estão perdendo. ;-)
beijos

Eduardo Otubo disse...

B.,

Escassez é relativo. Defina "pessoa interessante". Veja que eu não estou me atentando ao gênero, pra pode ser uma dúvida o mais ampla possível.

Essa pessoa precisa necessariamente ter lido todos os volumes do Harry Potter? Ter assistido a filmes lado-b? Bloggar? Gostar de fotografia, ouvir MPB, Bossa Nova e ainda ter tempo de ser bonita?

Às vezes acho que meus encontros com garotas viram quase uma entrevista de emprego. Aff, preciso tirar isso logo da minha cabeça...

Beijo ;-)

B. disse...

Interessante realmente depende de quem está definindo. Para mim, interessante pressupõe antes de tudo que a pessoa é inteligente, fala corretamente (pode rir dessa, mas nestes tempos de miguxês, é raridade rs), gosta de ler (eu tive um ex que achava que livro não era presente ¬¬) e de cinema e ouve boa música (entenda rock e MPB).
Mas é claro que para quem gosta de axé, interessante deve ser quem sabe toda a discografia da ivete :P
beijos

Frederico disse...

Se voce reparar o filme per si quase não tem dialogos. De fato o roteiro é toda a movimentação e iteração dos robos.

Isso para mim foi o melhor.

[]'s

B. disse...

Bom voltar nesse post depois de assistir um filme que foi o início de tudo.
Lindo, fez pensar, emocionou e o melhor de tudo: assisti com você do meu lado.
*Amo*

mj-coffeeholick disse...

só o fato deu chorar vendo o filme é pq é barbaro !